Fernando Pessoa #07 – Demogorgon


It seems intuitive that truth ought to be sought after by any person, no matter  the degree of seriousness, the frequency, the method. We believe in truth. We believe in everyday truths & hold people accountable for them. In fact, while the truth can set you free, it can also lock you up or even reward you with a death sentence.

But what would happen if one were able to “forget about truth”? Or, to use Pessoa’s phrasing, if truth forgot about me? In this poem, signed by Álvaro de Campos, Pessoa explores the part of human being that years to be severed from truth, to be exempt from the necessity to seek it, to suffer its absence, to always live in its shadow.

DEMOGORGON

Na rua cheia de sol vago há casas paradas e gente que anda.
Uma tristeza cheia de pavor esfria-me.
Pressinto um acontecimento do lado de lá das frontarias e dos movimentos.

Não, não, isso não!
Tudo menos saber o que é o Mistério!
Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas,
Não vos ergais nunca!
O olhar da Verdade Final não deve poder suportar-se!

Deixai-me viver sem saber nada, e morrer sem ir saber nada!
A razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo,
Deve trazer uma loucura maior que os espaços
Entre as almas e entre as estrelas.

Não, não, a verdade não! Deixai-me estas casas e esta gente;
Assim mesmo, sem mais nada, estas casas e esta gente…
Que bafo horrível e frio me toca em olhos fechados?
Não os quero abrir de viver! ó Verdade, esquece-te de mim!

This entry was posted in Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, Trans. from Portuguese. Bookmark the permalink.

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