Fernando Pessoa #03 – Almost

In a curious way, rearranging the apartment, or even just one room in it, can provide a deep sensation of OrTo organize my lifeder. We may tend to attribute the value we place on Order to our own productivity (i.e. having an orderly desk makes it easier to pay the bills on time), but there seems to be more to it than that. & while some may argue that Disorder has replaced Order inour (post)modern society, it would entail the same type of involvement, but now inversely.

When Pessoa exlcaims that we are “Romantic products, all of us…” he seems to be talking about our reliance on Nature. One need only refer to the fact that  DNA testing is generally believed to be an indisputable truth in order to see just how much we have invested in the natural world, which, as it were, is a direct inheritances from the Romantics.

What is striking about this poem is that Pessoa, with Campos as his mouthpiece, does not offer a criticism, wrought with tragedy– in the style of Eliot –but, rather, makes a diagnosis of modern society, which, more than 100 years later, still seems to hit the mark.

Quasi

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação…
Quero fazer isto agora, como sempre quis, como o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E manhã ficar na mesma coisa que antes de ontem— um antes de ontem
[que é sempre…

Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei…
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir.

Produtos românticos, nós todos…
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.

Assim se faz a literatura…
Cortadinhos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papeis meio compostos,
Os outros também são eu.

Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos ao descansar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada  a parte nenhuma, como um silêncio da vida…

Olho dos papéis que estou pensado em afinal não arrumar
Para a janela por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, acaba no meu cérebro em metafísica.

Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando-se,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema.

Como um deus, não arrumei nem a verdade nem a vida.

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