Fernando Pessoa #01 – Reality

Álvaro de Campos is one of the heteronyms used by the Portuguese poet, Fernando Pessoa. The others he used were Ricardo Reis, Alberto Cairo & in his prose, Bernardo Soares. The use of these must be differentiated from simply using pen-names, since these were truly characters, each with their own personalities, appearances and attitudes, which Pessoa masterfully designed & described in numerous letters & journals. In future posts, we’ll endeavor to define each of the heteronyms in order to contrast their poetics.

None of Pessoa’s poetry, which is quite extensive, was published during the poet’s lifetime. Pessoa, who was writing in the early 1900’s, lived the poet’s lifestyle without ever adopting the profession. The drama of the poetry– much of it due to the masks of the heteronyms –takes various forms at the hands of each of the characters.

and I walked up the hill...

Richard Zenith explains that “Álvaro de Campos was Pesso– same basic attitudes, desires, and anxieties –but with more pizzazz and chutzpah, living out much of what his progenitor only dreamed of. When normally reserved Pessoa wanted to use strong language or announce radical ideas, Campos was usually his mouthpiece, and not only in poetry. Various manifestos, including the Futurist

Ultimatum of 1917, were signed by the naval engineer, who also got involved in Pessoa’s private life, sometimes even writing letters to Pessoa’s friends. Campos was the ostensible thorn in Pessoa’s one romantic relationship, saying a number of hard and disagreeable things to the beloved lady, Ophelia Queiroz, who informed Pessoa that she hated his alter ego. ‘I don’t know why,’ replied Fernando. ‘He’s rather fond of you’.” (from Fernando Pessoa & Co, Zenith, 1998).

The translation I present here is an edited draft that I began several years ago in Salvador da Bahia, Brazil. Below you’ll find the Portuguese:

Realidade

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos…
Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade …

Há vinte anos!…
O que eu era então! Ora, era outro…
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada…

Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)…
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Tento reconstruir na minha imaginação
Quem eu era e como era quando por aqui passava
Há vinte anos…
Não me lembro, não me posso lembrar.
O outro que aqui passava, então,
Se existisse hoje, talvez se lembrasse…
Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro
De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!

Sim, o mistério do tempo.
Sim, o não se saber nada,
Sim, o termos todos nascido a bordo
Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer…

Daquela janela do segundo andar, ainda idêntica a si mesma,
Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais
lembradamente de azul.
Hoje, se calhar, está o quê?
Podemos imaginar tudo do que nada sabemos.
Estou parado físisca e moralmente: não quero imaginar nada…

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro,
Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado,
Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.
Quando muito, nem penso…
Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora,
Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.
Olhamos indiferentemente um para o outro.

E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol,
E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

Talvez isso realmente se desse…
Verdadeiramente se desse…
Sim, carnalmente se desse…

Sim, talvez…

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2 Responses to Fernando Pessoa #01 – Reality

  1. Pessoa is addictive. Can’t get enough of him.

  2. Joseph says:

    Agreed! Overall, I am very fond of Pessoa-as-Campos, but Reis and Caeiro are interesting & important. I’m in the process of editing a bunch of poems by Campos, & hopefully will be sharing them shortly. Thanks for reading, listening & commenting.
    Best,
    Joseph

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